quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Travessuras, sempre! Do saci, de preferência!

Mais um final de outubro chegando e, novamente, as tais festas de halloween. Chega me dá gastura!


Até quando? Será mesmo que vamos continuar deixando nossas crianças aprenderem que o legal é sair fantasiado de bruxa, frankstein, vampiro, ou qualquer outra coisa sangrenta e feia, nascidos de uma história bizarra? Por que temos que assistir morrer as festas populares e seus personagens ricos, construídos de enredos curiosos tão nossos, cantados nas rodas de viola e divulgados de geração em geração?


O vinte e dois de agosto vai ficando cada vez mais presente somente nos calendários. Ah, se bem pudessem conhecer! Nos preparávamos para a festa desde o começo do ano e era bom ir organizando a fantasia, pensar nas comidas típicas, nos trajes, ensaiar as danças.


Cada criança que vejo se movimento para as festas de 31 de outubro, questiono: “você conhece nosso folclore?”. A surpresa é que a maioria diz que não. Não as culpo. Não têm sequer a oportunidade de conhecer outras coisas. Mais um enlatado empurrado goela abaixo na vida dos pequenos, legitimado pela escola e família.


Fiquem com suas bruxas, minha Iara é muito mais bonita e, definitivamente mais encantadora; fiquem com seu vampiro, seu frankstein! A história do lobisomem é mais instigante! Ainda tenho o boto-cor-de-rosa, o saci peralta. E nem falei das minhas festas de cores muito mais vibrantes e alegres, em vez do seu preto, laranja e roxo!


E, que tal minha rica culinária típica no lugar dos seus "doces ou travessuras"? Olha, não é querendo me gabar não, mas a minha festa tem muito mais nuances, muito mais alegria. Muito mais ziriguidum!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Dé, valeu! Descobri que gosto mais que pensava.











Senhoras e senhores, com vocês, Rita Ribeiro!

No conforto dos teus braços

Oito horas de vôo num concorde,
Cinco dias num barco mar adentro,
Sete noites dormindo ao relento,
Sete ciganas lendo a minha sorte,
Quatro dias, em pé, no trem
Da morte,
Vinte léguas montado num jumento,
Sete mil flores no meu pensamento,
E eu trilhando os últimos espaços...

Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!


Valentia de pai ou de irmão,
Concorrência com o astro do momento,
Temporal, tempestade, chuva e vento,
Holocausto, hecatombe e tufão,
Desemprego, palestra e sermão,
Tititi, coqueluche, casamento,
Pé de ponte, mansão, apartamento,
Paparazzi, sucessos e fracassos...


Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!


Ladroíce, mutreta, malandragem,
Álcool, droga, barato, passamento,
Amnésia, larica, esquecimento,
Roubalheira e má politicagem,
Cabaré, palacete, sacanagem,
Fome, greve, motim,

Acampamento, confusão, batalhão, fuzilamento,
Reclusão, solidão, sonho,
Aos pedaços...


Pra ficar no conforto dos teus braços,
Qualquer coisa no mundo eu enfrento!

João Linhares

domingo, 25 de outubro de 2009

Eu, o ET

Roubalheira, desrespeito, falta de amor ao próximo, falta de cidadania, descuido generalizado. Já teve a sensação de estar tudo tão errado e - as pessoas achando tão certo - que a impressão é que você quem está fora de órbita, desconectado ou ultrapassado? Diria mano Caê: “alguma coisa está fora da ordem...!”

domingo, 18 de outubro de 2009

Faz-me rir

Com todos os ônibus queimados em Salvador e módulos policiais metralhados, com todo helicóptero abatido, policiais e civis mortos (quase diariamente) no Rio de Janeiro, com toda pane no sistema metroviário em São Paulo, com a dengue e meningite que voltam a aterrorizar norte e nordeste do país. Com todos os professores ameaçados em escolas públicas e particulares Brasil a fora. Com a educação cada vez mais desqualificada, com o trânsito caótico de cada dia, com os meninos aspirados pelo consumo fácil e rápido do crack no Pelourinho, Viaduto do Chá e Cracolândia (e quaisquer ruas e vielas do país!). Com tudo o que não nos chega via rádio, jornal impresso, web e televisão! Vamos sim, continuar a celebrar nossa conquista: que venha a copa! Que venham as olimpíadas!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O joelho gordo de Carol

Sábado, dia 10 de outubro. Um dia inteiro de aulas na pós bem no meio de um feriadão! O que acreditar na educação não faz, hein?!

No break após o almoço e antes da segunda etapa do dia, paramos para, digamos, filosofar um pouco. Meninos e meninas falando a respeito de seus corpos, seus medos e dúvidas. Que exercício delicioso para nós, mestres em potencial. Fomos desde trajes especiais para uma noite especial, até mitos e verdades ligados a tamanhos e funcionalidades.

Eis que, é claro, enveredamos pelas insatisfações femininas em relação a nossos próprios corpos: seios pequenos, bunda grande, testa enorme, gorda, magra. Milagres da cirurgia plástica. De repente, lançamos um bolão. Os lugares que tínhamos vontade de corrigir, por meio de cirurgia plástica. Daí uma louca grita do canto da sala: “eu sei que vocês não acreditam e vão dar risada, mas eu queria fazer cirurgia no meu joelho. Meu joelho é gordo!”. Ah, Carol! Depois do almoço?! Nem preciso dizer o que aconteceu, né?! Faz até mal rir tanto depois de comer. Prometi a ela um texto só para não perder a frase.

Depois, pensando no que sustentar o argumento depois da piada, analisei umas figuras que mexe e vira estão na tevê e cada vez mais desfigurados! Vá lá, cada um faz com seu dinheiro, seu tempo e saúde o que melhor convier, mas cirurgia é cirurgia! É como Natália colocou: se estamos satisfeitas com nossos corpos, ótimo!

Saindo da minha sala de aulas, lembrei de algumas figuras que se gabam pelas tantas cirurgias feitas. Na realidade se tornaram aberrações. Tem uma garota, que não vou lembrar o nome, que já passou por tanto procedimento desnecessário, com implantes de próteses de silicone nos seios que começou afetar a coluna. E, pasmem, ela só quer se manter no livro dos recordes! Já fez boca, algo mais no rosto, bumbum, contava ela num programa exibido no início do ano.

Olha, eu sei que não estou na melhor das formas, mas ainda assim pra vidinha que levo, sedentária, notívaga, adoro comer e adoro mais ainda a minha cama, estou bem. Não sei se pensaria em fazer algo na máquina 3.2 aqui. Pensem numa pessoa frouxa para essas coisas?

E, no final das contas, vai cair mesmo, é a ordem natural da coisas, já provara Newton, como não?!